quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Rito


Pegue pela mão seu primogênito e único filho. Leve-o até o pico da montanha mais alta que seus olhos distinguem. Seu filho lhe faz bem; ele também me fará, por que não somos diferentes. E se somos, você é pior; por que eu me entrego aos meus filhos, e você faz com que eles se entreguem a você; portanto, não insinue que sou cruel, uma vez que somos, todos, aves de rapina.

Não se esqueça, é um sacrifício para a glória!

Vamos meu filho, me mostre sua mão. Mostre-me qualquer coisa. Está longe para dizer demais. Quão suave são suas mãos. Devagar; pois o prazer está na tortura.

Então eu fechei os olhos e tirei a batina; e coloquei cada caroço do meu instrumento na boca do jovem. Vamos fazer uma prece.

Um homem lá de longe disse que não se deve pedir com oração antes de construir um santuário; um lugar para que possamos nos esconder. Só assim poderemos fazer qualquer coisa ou preparar qualquer oferenda para aquela garota que nos distribui ordens em troca de desejos sinceramente humanos.

Antes de qualquer coisa, contar-lhe-ei sobre as catacumbas que escondem os rios onde devemos banhar juntos; que é para nos limparmos dessa moral que você carrega no seu coração.

Qual número você carrega? Se não for o mesmo que carrego, você não será bem vindo ao nosso rito.

Espere; estou falando demais sem me dar conta de que agora você já está bem interessado em saber o que lhe tenho a mostrar. Mas você consegue enxergar este leão que lhe fala, agora, sem línguas estranhas? O que ele diz é que você não tem nada a saber; somente a fazer.

Ajoelhe-se e pergunte o que é preciso ser feito; então eu lhe direi.

Esperança é o mal que eu temo. Se livre dela e faça agora como os outros estão fazendo.

Glória! Glória!

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