sábado, 5 de maio de 2012

Zurrapa

Somos como o vinho
O tempo passa
E nos tornamos melhores

Melhor por que nos tornamos
Mais unidos e mais corajosos
Para fazer o que tivermos vontade

Apodrecido!
Nossa vontade
Não é saudável.

Queremos destruir uma escola
Queremos ter os nossos nomes
Estampados na galeria dos que botaram
Um novo rumo para a geração.

Mas que esse novo rumo
Seja torto, ou que seja tosco
Como um de nós é

Ou cabeçudo
Um rumo de cabeça grande?

Pés grandes, cabelos grandes
Um vai se foder bem grande
Para você também.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Trinta e Quatro (Parte II)

Eu tenho trinta e cinco, com cara de de cinquenta e três; por que essa pele sensível minha definha com o ardor do sol que encaro diariamente. O sangue me cega e não me contento com a banguela. Eu estava com o rastelo na mão, cuidando do nosso jardim. Já tinha tirado quatro rosas saudáveis para a minha mulher quando ela abriu o portão. Sorri e ela veio até mim com a expressão grave; me abraçou e disse, sussurrando no meu ouvido: "Quero o divórcio". Meu mundo girou e antes de pensar em algo, muito menos falar qualquer coisa, ela me deu a segunda martelada: "Tenho outro".

E naquele momento de abandono, tudo que eu tinha posse era meu rastelo, com qual desdentei minha esposa em um só golpe; assassinei em três, trucidei em cinco e só voltei a enxergar depois do sétimo.

Foi simples como essas linhas corridas. Covarde ou covardia?

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Quinteto do Oito

Morte ao que for platônico!

Meus eternos e únicos
Meus nobres companheiros
Vocês sempre foram muito
Andaram comigo o dia inteiro

Choro toda vez que lembro daquele ano
Total felicidade
Para sempre saudade

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Tributo

Aquilo que não é firme no toque, o que não atinge com afinco, com a ponta afiada, não excita. É devido a esse toque, ainda que sutil, que eu repouso o meu olhar sobre você.

Não se trata da sua beleza e extraordinária elegância. Ou os seus cabelos finos que deslizam por todo o seu corpo; seus olhos indagadores que acariciam o olhar de cada observador. Nem mesmo a natureza quente dos seus lábios, moldura do seu sorriso cândido.

Trata-se mesmo da sua alma. Da sua alma cruelmente boa. Aqui eu faço uma observação por saber que você está sorrindo, na busca de compreender o meu porquê sobre "cruelmente boa". A sua bondade está no seu espírito, eminentemente livre. Cruel, pois a liberdade exige essa posição.

Somos companheiros, como dois pássaros. Não dois pássaros presos na gaiola. Estamos sobrevoando penhascos e oceanos; bosques e edifícios. E você, como eu, faz uso das suas asas. Podemos nos perder, é verdade; mas a maravilha consiste neste passeio.

É daí que nasce todo o meu gostar por você. O seu comportamento que me fez oferecer a minha sincera amizade, que você tem. Você é singular; e é dessa forma que você passa a ter significado para mim.

Eu poderia encerrar desejando-a frases velhas e batidas; mas na nossa amizade não cabe nada que seja velho e batido. Jamais!

Tudo o que eu posso desejar a você, de verdade, é uma vida intensa, ainda que seja breve.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Virgem

Eu cheguei em casa
Eu estava bêbado
Ela estava pelada
E eu fiquei sem jeito

Ela tirou a minha roupa
E nós fomos para a cama
E eu gozei na sua boca
Antes de começarmos a transa

sábado, 21 de abril de 2012

Anos Iguais

Janeiro, fevereiro, março
Lua, nave, espaço
Abril, maio, junho
Plutão, marte, saturno
Julho, agosto, setembro
Vejo, verei, vendo
Outubro, novembro, dezembro
Leio, lerei, lendo

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Monólogo do Soldado Carniceiro (Parte III)

No curso de formação, não aprendi nada de útil. Apenas baboseiras, como marchar e bater continência para o superior. A minha primeira aprendizagem foi com o primeiro rato que eu matei. No dia, ele espancou a mulher até a morte com um taco. Quando cheguei ao local, um barraco escroto numa viela que fedia esgoto ao ar livre, se encontrava ele sentado, assistindo televisão. O algemei e o conduzi até a viatura. A caminho da delegacia, desviei o trajeto até aqui. Esse barracão nojento, onde matei, precisamente, quarenta e oito insetos como você. O matei algemado. Espanquei-o com o taco. Com esse mesmo taco matei onze. Veja que ironia: um time de futebol! O taco quebrou no décimo segundo.

Do doze ao dezoito eu matei esfaqueado. Eu sei os detalhes de todos as mortes. Tenho tudo registrado em um caderno. O diário do soldado carniceiro, diria um jornalista sensacionalista. Do dezenove ao vinte e um, por exemplo, eu matei com um tiro calibre doze, na cara. Achei bacana a ideia daquele filme. Depois, até o trigésimo, matei enforcado, como fazia os mafiosos da cosa nostra. A partir de então, não matei mais usando métodos em sequência. Diria eu que as mortes aconteceram de acordo com o estado do meu espírito.

Você pode me perguntar por que eu matei tantos homens; por que uma chacina de tal dimensão, se meu alvo era apenas um único homem. Tenho meus motivos, e acho que posso expô-los; afinal, suponho que você não esteja com pressa, não é mesmo? Tempo é o que não lhe faltar depois dessa noite.