segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Opinião para o Jantar
Trouxe uma opinião para você que encontrei há algumas milhas daqui. Diz ela que não é válido se esconder por tanto tempo; porque o tempo enferruja os planos. Não tenho ideia do que falo quando abro a boca, mas tenho uma boa oratória quando fico calado. Porventura, assemelha-se a mim em tal quesito? Creio que não.
Somos feios por nascença e fodidos por destino. Se ao menos fosse doença, haveria esperança de cura. Se houvesse desculpa, não teríamos culpa. Entretanto, mesmo sem motivos, não temos culpa. Apenas não sabemos justificar o que não tem justificação. E quando não há razão, fica por isso mesmo. Não interessa se é bom ou ruim; apenas mantém.
Não interessaria também a qualidade; o que interessa, de fato, é a quantidade. E se não há chances, paciência.
Trouxe uma opinião para você para o jantar. Quer digeri-la?
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Nada para Você
domingo, 30 de agosto de 2009
Selvagem
O que acha de umas palavras soltas que encontrei na selva? Havia uma pedra que dizia para não sentir medo ao removê-la; então me dê aqui uma mão para removermos o empecilho do caminho. Está tão quente aqui. Eu tenho uma solução: tire sua blusa.
Fazer força faz sentir vontade de ter força para empurrar um pouco mais. Estou tremendo um pouco; e o suor escorre pelo corpo.
Faltam algumas milhas e já não me seguro de querer dizer que seus lábios invocam pensamentos promíscuos. Acho que disse desejar tomar banho nas águas salinas do seu corpo.
Cobra à esquerda, lagarto à direita e cachorro ao centro. Estão protegendo o meu retorno. Quando falta pouco é que temos mais vontade. Todos os lados nos aplaudem; então vamos dar um espetáculo.
Seja bem-vinda às minhas pernas, com seus tremores e fibras destroçadas. Estamos enlouquecendo? Cabe mais. Um passo para cá e comece a chorar e gritar bem alto.
Todos os sonhos e espíritos correm para cá; não precisamos de nada além da reciprocidade das carícias. Você me atormenta; eu lhe curo. Você me desperta; eu desespero.
Ensina-me professora; o proveito de errar e o ódio da prudência; o desprezo pela paciência; o sufocar o nexo e espantar o medo. Disciplina-me na promiscuidade e a aceitar a beleza que mora na perfeição da enganação. Dê-me na boca o acalento doce do erro; do que tem sabor de preguiça; daquilo que esnoba a vaidade e enrijece a gula.Entrega-me os segredos dos artifícios das suas artimanhas que me golpeiam em sequência. Dê-me um lugar na delicadeza; faça com que um toque sutil pare o temporal que me encharca de fogo.
Somente mais uma vez.
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Bilhete
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Recuperação

Conte as estrelas como elas são
Entre na casa de recuperação
Espere pacientemente pelo apagão
É preciso deitar e descansar
E esperar pelo médico
Ele está no seu lar
Pode até demorar
Mas trará consigo o remédio
Enquanto isso estique o lençol da cama
Prepare-se para uma partida de dama
Ou você prefere tomar uma sopa?
Então vista essas roupas
Porque aqui você terá todo o tempo
Deite-se devagar, sem pressa
E escute o ranger do vento
Essa é a nossa única festa
Achou que ninguém lhe colocaria a mão?
Que suas condenações seriam vãs?
Agora que sabe que está na prisão
Saiba que deixarei sua mente sã.
domingo, 23 de agosto de 2009
Castelo
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Retorno
Então espere o dia encontrar um tempo
Falar palavras para agradar seus ouvidos
Já que a distração é olhar para o vento
Tendo a impressão de estar perdido
Um brinde estreia no espaço
Saindo pelos poros do meu rosto
Agarra-se nos tormentos de um abraço
Se afundando no fundo do poço
Está na hora de ir para trás
Já que traça o horizonte dessa linha vertical
Não importa o que se faz
Começando ou não, acaba no final




