quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Poção Estranha


- Aceita um drinque?
- Não posso deixar alguém à sós com um drinque, não é mesmo?
- Eu entenderia como uma desfeita
- Pois bem, o que tem para me oferecer?
- Uma poção... Estranha.

E então eu bebi aquilo que mata tudo que está dentro de mim. Ela é uma bruxa, cheia de problemas, com uma melancolia elétrica. Ela desce fervendo de paixão por mim. Por mim.

- O que você vai fazer?
- Sobre?

Ela se apega em mim, como se eu fosse uma cola. Sou um anestésico. Desconfio que ela tenha vontade de se grudar em mim. Sinto os raios de sol invadindo minha garganta.

- Esqueci de perguntar se posso falar sobre esse assunto contigo.
- Claro que pode.
- Pois bem, semana passada ela me contou algumas coisas. O que você pretende?
- Vamos viajar semana que vem. Tomaremos um cruzeiro. Quando voltarmos, decidiremos.

Ela é um mar conturbado e eu sou um barco pequeno, sem controle. Ela encenou uma peça na última vez, a fim de ignorar qualquer problema que pudéssemos ter. Que tipo de tolo sou eu? Bom, eu perdi as estribeiras.

- Quantos meses?
- Dois e meio, acredito.
- Então é certo.
- Naturalmente.

E quem diria que uma vida inocente destruiria outra. E destruindo a inocência, se destruiria o corpo da perversão. Alguém diria que o amor se resumiria a destruição?

- O que você acha que devo fazer?
- De a ela uma poção. Uma poção... Estranha.

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