sábado, 14 de agosto de 2010

Observação de um Passageiro


Ônibus é sempre interessante e cansativo ao mesmo tempo. O que o torna mais interessante que cansativo é a disposição do passageiro. Bem certo que quanto maior for o espírito do usuário, menor serão as chances de haver disposição para andar de ônibus. Afinal, ônibus é um bueiro ambulante: abafado, apertado e fedorento.

Ando de ônibus todos os dias; a maioria deles, lotados. Às vezes consigo sentar em algum banco suado. O fato que quero contar aconteceu em um dia que eu estava sentado. Sentar é um luxo, mesmo quando espremido por uma gorducha que ocupava três quartos de um banco duplo; maneira na qual estava eu acomodado, naquela estufa de salgados podres, denominada "transporte" público, naquele dia em que até mesmo os prédios derretiam de calor.

Quero fazer mais uma ponderação. No meu entendimento, pessoas de espíritos fracos gostam de andar de ônibus. Se sentem os donos da ratoeira, mas não passam de ratos. No dia do qual narro, eu prestava atenção na arrogância de uma senhora ao reclamar da arrogância dos passageiros. O sol queimava a minha cara e as palavras da velha queimavam os meus ouvidos. Fechei os olhos e me concentrei no banco claustrofóbico que eu estava sentado. Um grito de alma penada me despertou dos ranços escuros de minha mente.

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