terça-feira, 27 de julho de 2010

Pássaros


Um pássaro voa e saboreia a liberdade nas alturas, nos ares remotos; desvinculado da noção de tempo e espaço.

O pássaro flutua. Ingênuo, porém soberano. E quando sente fome, bate as asas. E foge de tudo, até não enxergar mais nada. Nada além da plenitude dos ventos, que se confunde com a sua.

Portanto eu lhe digo que o pássaro é cego.

E eu, nesta cela, acendo um cigarro, bebo alguma coisa; talvez assim eu roubo alguma plenitude do ar. Está tudo em minha volta, basta eu deixar a morbidez de lado e fazer. Mas sempre há algo que me amputa.

São tudo cinzas, e eu pareço preferir me retalhar à me prevenir.

Talvez seja sono.

Talvez...

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