domingo, 16 de maio de 2010

Passeio

Um bom gole de veneno, para agonizar a noite inteira e sentir o término da aflição com o nascente do Sol, com a luz brilhante exacerbando meus olhos. Como no início que jaz o fim: a partida, a queda, a generosidade, a partilha, a viagem.

Agora, diante da embarcação, onde não é necessário ceder o lugar para os idosos, pois todos têm direito de sentar-se à janela, com o direito sublime de ver toda a paisagem da viagem. Todos calados durante a viagem, todos flutuando em idéias. Suspiros...

Flores vermelhas! Fantasioso, real. Há homens e mulheres e deformados a bordo, eu sou apenas mais um. Apenas mais um. É real, todos aqui são apenas mais um. É real. Olhares...

A estrada - contraditoriamente como falado - não é uma descida, embora haja sim descidas. Há, contudo, subidas e curvas, e sempre que olho para a janela vejo flores vermelhas. Às vezes amarelas, azuis, roxas.

O chão é verde. É colorido, como o chapéu do motorista. Ele sempre está sorrindo, mesmo mantendo sua expressão séria. Todos permanecem calados. Há olhos que brilham. Sempre houveram tolos que jamais foram perturbados por não se darem conta de suas próprias tolices. O vento dança lá fora...

Todos dançam do lado de fora, essa sempre foi à regra...

É apenas mais uma noite, apenas mais uma declaração de delírio. Amanhã, quando o nascente do Sol se levantar, estaremos bem.

Eu prometo, eu prometo.

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