domingo, 30 de maio de 2010

I Epílogo: O Trato

Primeira linha do Tratado sobre o Trato: O Trato aguça.

Segunda linha: O Trato desperta

"Pois bem, meu caro, sei que veio das mais longes terras para falar comigo; afinal, moro nas terras mais distantes. Sente-se, camarada. Quer uma donzela? Não? Não aceito a recusa de um bom Vinho. Eis o Sangue de Cristo. Bafore um pouco o Cachimbo."

Terceira linha: O Trato Seduz

"É claro que cada um vive com seus próprios recursos. Eu sou sensível o bastante para perceber que você se esconde sob o seu manto, mas à noite você desaba suas fraquezas no travesseiro. Sua lágrima é a única fonte de água para regar o seu Jardim."

Ele, enigmático, continua:

"O cachimbo está bom? Bem, eu gostaria muito contar a minha história. Na minha versão, é claro. Mas seria falta de delicadeza contigo; você veio até mim para eu lhe ajudar. Se sente melhor agora?"

Quarta linha sobre o Trato: O Trato é poético:

"A primeira, digamos, percepção que o senhor deve ter é a de que a sua vida é uma sinfonia. Existe um Maestro, que ainda não é você. Você ser o Maestro faz parte do nosso acordo; o que eu quero que o senhor entenda agora é que você deve deixar as flautas flutuarem sobre a sua Alma, e os Violinos a violarem. Essa é a parte mais importante."

Quinta linha: O Trato é um caçador:

"Uma vez um miserável disse a outro, gargalhando de embriaguez: 'Você está furioso? Oh..Você é apenas mais um rato engaiolado'. Esse miserável entendeu o Trato. Eu quero que o senhor pense sobre isso. Deixarei você sozinho."

Sexta linha sobre o Trato: O Trato liberta.

"Pois vejo que o senhor ainda está aqui. Uma última frase e você entenderá o Trato: 'Luzes soam Delírios.'"

O viajante diz: "Senhor, o verdadeiro Trato não é libertino."

O Sábio sorri sereno.

Sétima linha do Tratado sobre o Trato: O Trato se firma.

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