quarta-feira, 2 de maio de 2012

Trinta e Quatro (Parte II)

Eu tenho trinta e cinco, com cara de de cinquenta e três; por que essa pele sensível minha definha com o ardor do sol que encaro diariamente. O sangue me cega e não me contento com a banguela. Eu estava com o rastelo na mão, cuidando do nosso jardim. Já tinha tirado quatro rosas saudáveis para a minha mulher quando ela abriu o portão. Sorri e ela veio até mim com a expressão grave; me abraçou e disse, sussurrando no meu ouvido: "Quero o divórcio". Meu mundo girou e antes de pensar em algo, muito menos falar qualquer coisa, ela me deu a segunda martelada: "Tenho outro".

E naquele momento de abandono, tudo que eu tinha posse era meu rastelo, com qual desdentei minha esposa em um só golpe; assassinei em três, trucidei em cinco e só voltei a enxergar depois do sétimo.

Foi simples como essas linhas corridas. Covarde ou covardia?

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