domingo, 15 de abril de 2012

Trinta e Quatro (Parte I)

E você pode acreditar que eu tenho trinta e quatro agora, e todos precisam de pão e só eu que trabalho. O sangue me cega e eu não me contento com a banguela.


Li em um grafite de rua que ou você derruba você, ou você derruba a vida. E para nós, humanos pobretões, vida, muito das vezes, não é uma sinfonia bem orquestrada; um conjunto de substâncias interligadas. Muito das vezes, a vida se resume a muito menos do que isso. Em uma conversa de pé de ouvido, eu diria que a vida se resume a fardos.

Vida são pianos pesados cravados em lombos arrombados de homens que, para suprir a necessidade da existência, devem carregá-los ladeiras acima. Como disse o maldito "Sobrevive o que sobressai". É necessário amputar a pele sensível que a natureza fez e implantar o couro de animal que a mesma natureza fez, só que para os rudes dos matos. Além do mais, está nas leis dos homens que nós devemos ter ética. Mas a vida não tem ética.

Tudo isso que estou pensando agora é por que quarenta minutos atrás eu estava em casa, deitado na minha cama, pensando em mais um emprego para sustentar a minha esposa e o nosso filho. Sou honesto, trabalho duro durante a semana e faço bico nos fins de semana.

Morro todas as noites e ressuscito todas as manhãs; por que sou trabalhador, pai de família. Sou um homem ético; como a moral inquere que sejamos. 

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