sexta-feira, 27 de abril de 2012

Tributo

Aquilo que não é firme no toque, o que não atinge com afinco, com a ponta afiada, não excita. É devido a esse toque, ainda que sutil, que eu repouso o meu olhar sobre você.

Não se trata da sua beleza e extraordinária elegância. Ou os seus cabelos finos que deslizam por todo o seu corpo; seus olhos indagadores que acariciam o olhar de cada observador. Nem mesmo a natureza quente dos seus lábios, moldura do seu sorriso cândido.

Trata-se mesmo da sua alma. Da sua alma cruelmente boa. Aqui eu faço uma observação por saber que você está sorrindo, na busca de compreender o meu porquê sobre "cruelmente boa". A sua bondade está no seu espírito, eminentemente livre. Cruel, pois a liberdade exige essa posição.

Somos companheiros, como dois pássaros. Não dois pássaros presos na gaiola. Estamos sobrevoando penhascos e oceanos; bosques e edifícios. E você, como eu, faz uso das suas asas. Podemos nos perder, é verdade; mas a maravilha consiste neste passeio.

É daí que nasce todo o meu gostar por você. O seu comportamento que me fez oferecer a minha sincera amizade, que você tem. Você é singular; e é dessa forma que você passa a ter significado para mim.

Eu poderia encerrar desejando-a frases velhas e batidas; mas na nossa amizade não cabe nada que seja velho e batido. Jamais!

Tudo o que eu posso desejar a você, de verdade, é uma vida intensa, ainda que seja breve.

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