quarta-feira, 18 de abril de 2012

Monólogo do Soldado Carniceiro (Parte III)

No curso de formação, não aprendi nada de útil. Apenas baboseiras, como marchar e bater continência para o superior. A minha primeira aprendizagem foi com o primeiro rato que eu matei. No dia, ele espancou a mulher até a morte com um taco. Quando cheguei ao local, um barraco escroto numa viela que fedia esgoto ao ar livre, se encontrava ele sentado, assistindo televisão. O algemei e o conduzi até a viatura. A caminho da delegacia, desviei o trajeto até aqui. Esse barracão nojento, onde matei, precisamente, quarenta e oito insetos como você. O matei algemado. Espanquei-o com o taco. Com esse mesmo taco matei onze. Veja que ironia: um time de futebol! O taco quebrou no décimo segundo.

Do doze ao dezoito eu matei esfaqueado. Eu sei os detalhes de todos as mortes. Tenho tudo registrado em um caderno. O diário do soldado carniceiro, diria um jornalista sensacionalista. Do dezenove ao vinte e um, por exemplo, eu matei com um tiro calibre doze, na cara. Achei bacana a ideia daquele filme. Depois, até o trigésimo, matei enforcado, como fazia os mafiosos da cosa nostra. A partir de então, não matei mais usando métodos em sequência. Diria eu que as mortes aconteceram de acordo com o estado do meu espírito.

Você pode me perguntar por que eu matei tantos homens; por que uma chacina de tal dimensão, se meu alvo era apenas um único homem. Tenho meus motivos, e acho que posso expô-los; afinal, suponho que você não esteja com pressa, não é mesmo? Tempo é o que não lhe faltar depois dessa noite.

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