quinta-feira, 29 de março de 2012

Monólogo do Soldado Carniceiro (Parte I)

- Se lembra da fita do posto de gasolina? O corola preto de placa de Goiânia. Estava lá a máquina morrendo, não é mesmo? Um gordo falando alto ao celular. Vocês sentado na mesma, pitando um cigarro, tomando uma cerva, na moral. Então aparece uma caranga daquela, com um otário daquele. Um presente de ouro enviado pelos deuses, não é mesmo?

Havia uma mulher e um jovem atrás. Estava muito manha. Era só meter o cano na cara do trouxa e levar o carro. Com destreza, daria para fazer quanto? Trinta mil? Talvez mais. Realmente um presente.

Então você e seus parceiros terminaram a breja, pagaram a conta, se levantaram e foram em direção ao imbecil. Só não contavam que aquele balofo também estaria ferramentado. Não interessa, você é tão ligeiro quanto a farinha que come. Sacou primeiro e disparou. Tiro certeiro no peito. Pegou o ferro do mané, enquanto os camaradas expulsavam os outros dois que estavam no toyota. Saiu voado. Que fuga! Que fita foi aquela que vocês fizeram?! Capa de jornal do outro dia.

O problema é que aquele gordo era um coronel aposentado. Os homens iriam grudar na sua cola. Olho por olho, dente por dente. Pelo seu vacilo, seu enterro era questão de relógio. Não ainda! Tinha para onde fugir! Vendeu rápido a caranga, pela metade do preço que achava que iria ganhar. Pegou a mulher e o filho de seis meses e saiu fora. Foi para Rondonópolis; de lá poderia se esconder em uma fazenda do interior do Mato Grosso. Tinha parentes por lá. Ficaria lá por um ou dois anos; até a poeira abaixar; depois voltaria. Não foi assim com o sargento que você trincou anos antes? Tinha esse carma de fazer milico. Carma não...Era dom mesmo. 

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