sábado, 24 de março de 2012

Cenas

O ônibus pára no ponto. Atrás do ponto, um muro desbotado. Na rua nada mais que o ônibus. É noite e está chovendo; a água pluvial escorre para dentro de uma boca de lobo.

Um tiro de rifle no céu. A manada explode e os animais correm babando. Uns estão cegos de medo, outros estão cegos de fúria. Todos estão cegos.

O homem andando pela calçada. Sobretudo preto, botas pretas, chapéu preto. Tem os cabelos pretos e as mãos nos bolsos. Caminha lentamente pela calçada chuvosa. Pensativo.

Os predadores são cavalos da morte que caçam as almas dos animais miseráveis, ou as flores raras que não se encontram em jardins secretos nenhum.

Um punk esquelético encostado no muro, perna encolhida apoiada no muro. Mãos no bolso, óculos escuro, olha para o homem.

Mas há sempre infelizes que não são miseráveis ou flores raras. Esses estão vivos e às vezes tem uma missão. Às vezes acordam sem saber por que acordaram. Pensam que seria melhor nunca mais ter que acordar.

O homem atravessa a rua . A chuva cessou. Apenas uma árvore sombria no canto da tela.

Os homens permaneciam selvagens e animalizados unicamente por que o mundo queria mantê-los famintos pela submissão; ou matá-los pela dor.

Ele conseguiu aspirar os elementos de uma espiritualidade, cuja característica principal...

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