terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Salto para a Morte

O helicóptero se mantinha em velocidade e em ruído constante. O sargento gritava comigo, tentando inutilmente fazer com que sua voz soasse mais poderosa que o barulho forte das hélices da máquina voadora. Ele me entregou o fuzil ao fim dos berros explicativos. Estava na hora do salto. "O salto para a morte", como dizia os outros soldados. Alguns já haviam pulado e aquela era a minha vez. Olhei para o sargento que disse um seco e sincero boa sorte.

Saltei do helicóptero, contei vagarosamente até cinco e puxei a corda do paraquedas. As pequenas manchas verdes que via lá de cima eu conseguia distinguir notoriamente agora.

Com o fuzil em mãos, passeei pela mata em câmera lenta. Não ouvia mais o motor poderoso da aeronave. Somente as bombas e tiros de fuzis e metrancas nas trincheiras lá embaixo. O salto para a morte era lento e fresco. Os soldados diziam que aquele era o último e primeiro momento em que um homem se sentia com precisão. Era naquele salto que se descobria o porquê do vento ser invisível aos olhos e nobre ao corpo. Todos valorizavam intensamente o vento.

Pude pegar nas árvores enquanto caía. Notei o alvoroço desesperado dos pássaros. Era como se eles se perguntassem o que estava acontecendo, que explosões eram aquelas, e por que as árvores estavam no chão e os homens no ar. E a resposta, diriam depois os sobreviventes: "Esse é o salto para a morte".

Nenhum comentário: