terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Grande Mentira

Minha mulher é uma pensadora
E eu penso nela todos os dias
E sonho com ela todas as noites
E hoje eu tive o melhor sonho que já tive

Acordei para escrever
Esse sonho, mesmo
Que jamais se apagará de mim

Estávamos abraçados
E eu pude sentir o seu calor
Dentro do meu sonho

Ela estava irradiante
E suas feições me faz amá-la
Querer a mentira para sempre

Eu pude sentir o seu calor
Através do meu sonho
E ela estava quente
E nos beijamos até amanhecer
E quando amanheceu
Nos beijamos até anoitecer

O nosso mundo
É o nosso mundo
E quando digo sobre mentiras
É por que sonho com você

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Desenho

Escrevo agora, somente, e tão somente, pelos meus desenhos e pinturas guardadas. Retribuo os gestos, gastando linhas em homenagem ao que penso. Ao carinho há carinho, à ternura há ternura; e o resto eu não preciso dizer.

Sobre a ideia; a inspiração. Ninguém desenha sem ideias. E nesta noite de cara fechada que terminou agora a pouco, seus olhos de jabuticaba sorriram assim que partiu. Esses riscos de luz, quando vagam dentro de mim, me tiram a tontura que sinto nessas noites. E sonho com o caramelo até ficar outra vez tonto, eufórico, no ponto adequado para escrever sobre os seus desenhos. Agora que posso recordar, posso também escrever.

Eu contaria como Deus fez os seus cabelos; de maneira mais copiosa, por que daquela vez foi tão sucinto. Não tínhamos tanto tempo para conversas, não é mesmo? E eu hoje tenho tempo, mas meu o talento se resume aos olhos. Fluir pelos traços da sua formosura.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Trimegista

És tu, a minha Trimegista!

Por trás de toda grande fortuna
Há sempre um crime!

Você, o anjo que me ensinou
Que me mostrou
A outra face do mundo

A face que me doa prazer
Pois você, minha perfeita
É o anjo mais belo da terra

Exalto e venero
Por que eu tenho a minha fortuna


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Minha Menina

Não me sinto desanimado por caminhar tantos quilômetros contigo. Também não me sinto cansado; apenas me preocupo com o seu cansaço, que eu nunca vejo. Minha vontade apenas aumenta com o seu sorriso.

Um fim de tarde, início de noite simples. Marcante. Uma ponte, um lago, uma vista. Uma paisagem, uma companhia: minha única alegria. Importante, valiosa, significante: minha única maravilha. 

Não preciso fazer rimas em linhas inteiras. Basta a recordação para escrever. A mesma delicadeza com as mãos é a mesma que me orienta. A grama, a música, o frio da água. Se lembra? A mesma água salgada nasce hoje. A imagem se formou como verdade naquele dia.

Vivendo outra noite sem sono. Está tudo bem. Pode tudo não estar tão certo, mas somos felizes. Sentimos a falta e amanhã estaremos perto. Você, por dentro das minhas veias, levando os brilho das cores para os meus olhos. Dependo tanto de você.

Estou dormindo. Sonhando que estou dormindo, com um semblante terrível, e a agonia indo e vindo pelos ponteiros do relógio. Protegendo-a, sentindo-a como minha menina. Olhos de ouro, respiração serena.

Acordei do meu sonho! Estou deitado, ouvindo as batidas do meu coração. E tudo se foi, não resta mais nada. E eu preciso da minha menina mais uma vez. Só mais uma vez. Para sempre.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Nuvens

Escrever é complexo
Desenhar é viver
Roda, mundo
Roda...

Eis aqui a sua letra
A ponta o lápis quebrou

Lá! Aqui!
Você! Sim?
Eu estou pensando
Nas nuvens
Pensa em todas aquelas
Nuvens...

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Becquerel

Um homem chamado Becquerel
Descobriu uns raios poderosos
Capazes de manchar o papel
Esses papeis que tanto gosto

Uma mulher trouxe o segundo elemento
Marie Curie e seu amigo Tório
E esses raios que ninguém tinha conhecimento

Ah! Mas eu não gosto deles
Eu gosto de outros elementos!

E foi nesse mesmo mês
Que conheci o benzeno
Meu novo amigo!

Ele também tem bom gosto
Ele também é poderoso

E tem raiva de mim
Pois escrevi para a sua mulher
Um amoroso, um carinhoso
Poema!

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Estranha Loucura


Queria estar louco agora e sentir a morte mordendo meus braços e pernas. Sabe, tem muitas almas penadas nesse mundo e eu sei que sou apenas mais uma. Mas eu queria que essa fumaça me engolisse ao ponto de me fazer esquecer disso.

Existem dias que já nascem mortos. Basta olhar para o sol e contemplar suas feições de abortado. Hoje é um dia desses. Tem dias que um pouco de loucura não faz mal, por que tem dias que o que faz mal é que faz viver.

Acho que não há erro em às vezes deixar se ceder. Quem não cede?

É estranho ouvir os zunidos da mente. É estranho olhar faces estranhas nas ruas. É estranho contemplar as paredes quentes do quarto.

Você sabe o que é desespero? Desespero é respirar a velhice. Envelhecer é morrer, e quem não sabe disso? E quem desfaz isso?

Tem dias que não há mal nenhum em dar um tiro na cara.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Salto para a Morte

O helicóptero se mantinha em velocidade e em ruído constante. O sargento gritava comigo, tentando inutilmente fazer com que sua voz soasse mais poderosa que o barulho forte das hélices da máquina voadora. Ele me entregou o fuzil ao fim dos berros explicativos. Estava na hora do salto. "O salto para a morte", como dizia os outros soldados. Alguns já haviam pulado e aquela era a minha vez. Olhei para o sargento que disse um seco e sincero boa sorte.

Saltei do helicóptero, contei vagarosamente até cinco e puxei a corda do paraquedas. As pequenas manchas verdes que via lá de cima eu conseguia distinguir notoriamente agora.

Com o fuzil em mãos, passeei pela mata em câmera lenta. Não ouvia mais o motor poderoso da aeronave. Somente as bombas e tiros de fuzis e metrancas nas trincheiras lá embaixo. O salto para a morte era lento e fresco. Os soldados diziam que aquele era o último e primeiro momento em que um homem se sentia com precisão. Era naquele salto que se descobria o porquê do vento ser invisível aos olhos e nobre ao corpo. Todos valorizavam intensamente o vento.

Pude pegar nas árvores enquanto caía. Notei o alvoroço desesperado dos pássaros. Era como se eles se perguntassem o que estava acontecendo, que explosões eram aquelas, e por que as árvores estavam no chão e os homens no ar. E a resposta, diriam depois os sobreviventes: "Esse é o salto para a morte".

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Tolos Morrem Antes

Hoje, neste tristonho dia
Que dia triste!
Não há palavra mais adequada
Tristeza faz feriado em qualquer alma
O meu hoje se calou para a dor
Estou dolorido
Estou triste
É ruim
Sinto-me sozinho no escuro
Sem ouvir, ver, sentir nada
Sem ter nada
Apenas a sílaba de uma canção convidativa
Um barulho de gatilho
Um desejo que me persegue

Poderia eu ser uma lepra
Que contamina, marca e destrói
Mas sou uma pessoa
Preferia uma nuvem
Dissolvido no céu!
Seria nobre!

Palavrões me vem em mente
Eu não sei
Um convite
Certo, certo
Recuso!
Covarde?!
Sim, covarde...

Durmo em um lençol verde
Cheio de flores desenhadas
Pena que são apenas desenhos
Como diria um amigo
Os tolos morrem antes

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Mil Novecentos Setenta e Um

Eu não tinha nada, mas eu tinha tudo. Não é difícil explicar.

Muito dos que estão aqui, ainda que mereçam estar aqui, tinham casa, família e amigos. Não tinham dinheiro e por isso diziam que não tinham nada. Mas hoje, quando perderam as pessoas, continuam dizendo que não têm nada. A diferença é que dizem ter perdido tudo.

Comigo não é diferente.

- Pai, eu não preciso da sua ajuda. Eu sei o que posso fazer sozinho.

- Não seja arrogante. Todas as vezes que você precisou de alguém, foi eu ou sua mãe que lhe acudiu.

- Certo, mas eu que pedi a ajuda. Jamais fui orgulhoso o suficiente para recusar a necessidade da ajuda.

- Você não sabe tudo e eu sei mais que você. Estou dizendo: é muito cedo para você guiar um carro na estrada.

- Já não sou mais criança!

- E também não é um homem completo, ainda.