segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Perturbação

Ele corria desesperadamente, sem olhar para trás. Corria e sentia a falta de ar. Seus pulmões doíam, e era o medo que sustentava a força e a resistência para continuar correndo mais e mais. Ele tombou. E mais rápido que sua queda foi o seu impulso para se levantar e continuar correndo, sem olhar para trás, desviando das árvores; correndo mais rápido que suas próprias pernas permitiam. Ele não queria que o alcançasse. Não queria por nada. Não queria morrer.

Somente ele sabia do pavor que aquela perseguição provocava em seu espírito. Ninguém poderia compreender o seu desespero. Nem mesmo se passasse pela mesma situação. Há situações que só existem uma vez no mundo, com uma única pessoa. É uma situação singular, verdadeira, inquestionável, surpreendente. Nem ao menos se sabe o que é. Acontece.

Sua mente, ainda sã, estava cada vez mais a favor da pertubação e do medo. Adentrado a floresta, não via sinais de civilização; sem saber se era dia ou noite. Sujo, cansado, sozinho, coração pela boca, afogado pela sede. Ajoelhou, passou a mão pela terra. Se rendeu. Sim! Se entregou! Que venha o carrasco, que o assassine. Que rasgue as veias do seu pescoço. Que ao menos o vermelho do sangue seja capaz de florir esses campos virgens.

A verdade é que não conseguia mais. A fuga é sempre um meio de pisar em falso em velocidade. Rápido, sagaz, sem dor. Chega. Há sensações que só existem uma única vez no mundo.

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