segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Dama das Quimeras

A dama das quimeras loucas gira as retinas; prisioneira de um calabouço desconfigurado. A vítima olha a catapulta, olha o tiro lançado que dança sobre o gás leve de hélio que forma o ar. O diabo, atrás da vítima, o puxa pelos cabelos. A vítima sente seu cabelo erguendo, no meio do nada, junto com o ar leve e gélido que sobe por suas entranhas sujas, até sua espinha emborcada. A vítima, estática, olha hipnotizado a dama das quimeras no céu escuro, com olhos loucos. E o diabo, atrás da presa, a energiza com assombrações infernais e sonhos de pânico.

A vítima acorda, bêbada. O som que a rua faz é de escárnio. A vítima pensa em beijar o rosto da mãe, que repousa em outro quarto. Ele se senta na cama, passa as mãos pelos cabelos que não existem mais; sente o cheiro singular de cabelo queimado. Ao passar a mão pela testa, sente o buraco do tiro que perfurou o osso do crânio.Capacete que não barra o medo.

Então ele se levanta e se sente encolhendo. Há ácido no chão; tudo derrete. Suas pernas terminam nos joelhos e não há mais nada para baixo, nem mesmo o chão. Um grito estoura seus tímpanos. A massa cinzenta escorre do cérebro até os olhos, pelo buraco de sua testa. Os olhos se fecham. Ele quer acordar desse sonho macabro, mas seus olhos não se abrem mais. Ele quer ouvir a voz de alguma pessoa querida dizendo: "calma, foi apenas um sonho"; mas seus tímpanos não funcionam mais. Ele quer correr, mas os pés estão corroídos. Ele quer se arrastar, mas uma fenda se abriu no chão.

Sobrou apenas o paladar para saborear o beijo tântrico da dama das quimeras, e o tato para sentir o diabo se infiltrando em sua carcaça morta.

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