quarta-feira, 23 de novembro de 2011

O Quarto de Risin (Parte II)

Maio de 1889: Pode ter sido um crime. Claro que foi um crime, e com a mesma clareza digo que foi prazeroso. Isso deveria aumentar a minha culpa. Se por um lado aumenta, por outro não, já que o prazer aniquila a culpa. Se já estou sentenciado, não me importa agora ter o fraco sentimento de culpa.

Estávamos Lucy e eu no quarto; estávamos abraçados com os olhos ainda vermelhos e pesados por tudo que nos havia acontecido. Não era justo que crianças fossem castigadas como nós da mesma maneira, pelo motivo que houve.

- Queria tanto me vingar, mas acho que sou incapaz.

- Mesmo com o seu irmão ajudando? Respondi sem perceber.

Ela arregalou os olhos. Estava surpresa com o que eu propusera sem querer.

- Bem... Como poderíamos nos vingar?

- Eu não sei - disse eu - Poderíamos apenas assustá-la, ao ponto de fazer o arrependimento brotar em seu coração.

Lucy me abraçava intensamente. Apesar de nitidamente triste, ela estava amorosa comigo. Eu sentia seus braços macios e algumas vezes o seu beijo doce no meu rosto. A forma como minha irmã me confortava era justamente o que a tornava tão importante para mim: a capacidade de me confortar nos bons e maus momentos. É preciso salientar que até mesmo nos bons momentos é necessário conforto.

Percebi uma luz no seu olhar e um sorriso diabólico na sua boca. Com certeza ela teve uma ideia. Ela não quis me contar, apenas me instruiu. Disse que a mamãe estava na sala, sentada na cadeira. Eu deveria apenas chegar frontalmente, caminhando e sorrindo lentamente; e depois pousar a mão sobre a de mamãe. O resto era com Lucy.

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