segunda-feira, 14 de novembro de 2011

O Quarto de Risin (Parte I)

Essa talvez seria a desvantagem de ser um investigador experiente. Nas outras profissões, os iniciantes sempre ficam com os problemas mais graves. Agora, eu, um investigador com 20 anos de carreira, estava diante daquele caso. Aquele infeliz senhor Risin me resolve causar problemas depois de morto. Maldito! Ao menos o pérfido não causaria mais problemas a ninguém.

Entrei no quarto; a perícia estava trabalhando. Risin estava estirado no chão. No corpo havia uma quantidade de morfina quatro vezes maior que um dependente aguentaria. O problema não era esse. O problema é que o homem havia levado um tiro no pescoço. A biopsia constatou que o disparo e a dosagem de morfina foram fatos acontecidos quase ao mesmo tempo, sendo impossível saber o que de fato ocorrera primeiro. Entretanto, a suspeita maior era a de que a morfina havia sido injetada antes do disparo. Era apenas suspeita, longe de ser comprovado.

Junto ao corpo havia uma seringa com vestígios de morfina e a arma do crime. Digitais de Risin por todos os lados. A pergunta é simples: suicídio ou assassinato? Em caso de assassinato, por que deixaria a arma no local do crime? A princípio não creio que o senhor Risin disparou contra si. Ele era viciado em morfina e se drogou naquela noite, mas será que realmente com aquela quantidade? Não teria sido alguém a drogá-lo uma segunda vez e depois o matou? O meu dever era descobrir quem havia feito aquilo.

Ninguém sabia ao certo a idade daquele homem. Talvez algo entre 25 e 30 anos. Não bastando a cena terrível no quarto, havia também horror nas folhas que encontrei em uma gaveta da mesa. Coloquei os papéis em ordem e me pus a ler o documento.

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