quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Jaú (Parte I)


Meu avô nasceu em 1902, na região de Jaú, interior de São Paulo. Era filho de um produtor de café, um homem inteligente que enviou o filho à cidade de São Paulo para estudar Direito. O rapaz focado e dedicado se tornou um grande jurista de renome, após propiciar contribuições importantes para a criação do Código Penal Brasileiro, em 1940.

Teve quatro filhos. O terceiro, Horácio, foi o meu pai. Seguiu a carreira do meu avô, sendo um excelente jurista. Um homem considerado espelho para o mundo jurídico, assim como o meu avô. Herdou toda a dedicação e foco, toda a vontade de ser um homem respeitado, para  assim manter o nome da família.

Meus pais se casaram, me tiveram e seis anos mais tarde tiveram a minha irmã. Ela era uma criança linda, com todas as feições delicadas que a minha mãe também tinha. Minha mãe, mesmo após duas gravidez, manteve a forma e era uma mulher linda, madura, com o sorriso de felicidade que apenas uma mãe de duas crianças teria. Quando me lembrava da minha mãe e da minha irmã Cecília, eu lembrava Balzac. Minha irmã realmente tinha os olhos de ouro; encantadores como a sua voz, um delicioso canto de rouxinol. Era assim que eu a conseguia definir.

Quando eu tinha 13 anos, nós passamos as férias em Cancun. Era o lugar mais lindo que eu havia conhecido. Estávamos todos felizes e surpresos com aquele mar salgado e com o sol maravilhoso do Caribe. Durante os dias que estávamos lá, eu gostava de passear pela areia com Cecília, sentindo a água bater nos pés. Gostava também de entrar no mar junto com ela, e segurá-la enquanto ela batia as pernas tentando nadar. Era de fato uma sereia.

Nenhum comentário: