domingo, 30 de outubro de 2011

Saudade


Hoje faz tanto frio
Mas e daí?
Hoje é o dia
Que eu tenho
Para sair
E vou vê-la hoje
Sinto tanta a sua falta
Mas eu a vi
Ontem a noite!

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Mãe Sozinha

Minha mãe saiu noite passada
E me deixou em casa sozinho
Ela foi buscar o meu pai
Que estava morto no meio da estrada

Eu disse: “Mãe, não fique assim”
Eu sei que você não tem ninguém no mundo
Mas você pode confiar em mim

Ela disse: “Sim, eu sei meu querido”
Eu vi que ela estava desanimada
Não era só seu coração ferido
Tinha também a alma cortada

Eu sei mãe, você não tem pais e irmãos
Não é fácil viver no mundo assim
Nem por isso estamos no fim
Para reerguemos, basta que me dê suas mãos.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

A Porta

A evolução destrói; ou caminha para a destruição. A dúvida é um mistério; ou um caminho para a descoberta.

Quando optamos por abrir portas novas, dependendo de qual porta, se deve ter a ciência, a vontade e o saber, de que é necessário abdicar de outras portas para entrar naquela. Esse é o detalhe, a dificuldade. A estrada das outras portas é longa e duradoura, enquanto essa possui uma estrada bem curta, porém rica em diversidades.

sábado, 22 de outubro de 2011

Cadillac Verde


Cadillac verde
Abra as portas
Olhe o céu
Olhe o sol
Olhe as nuvens tortas

Andava cambaleante
Com a faca atravessada na cintura
Um passo sóbrio
Outro insano

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Jaú (Parte II)

No nosso penúltimo dia de viagem, aconteceu algo que eu jamais gostaria que acontecesse. Cecília e eu estávamos passeando de barco. Ela, toda sorridente, brincava comigo, me agarrando. Ela então segurou com força os meus cabelos, quando eu, movido por instinto devido à dor causada, a empurrei, tentando me livrar. Ela caiu do barco. Caiu na água no momento em que o barco fazia uma manobra. O barco passou por cima de Cecília, as hélices despedaçaram-a. Tudo que vi foi sangue muito vermelho emergindo sobre a água.

O que ouvi em seguida foram os gritos de desespero da minha mãe, que assistiu toda a cena de longe. Ela gritou e dois vermelhos surgiram em seus olhos. Logo vieram as lágrimas, salgadas como o mar. Ela virou-se para mim e em meio a soluços, berrou comigo, me questionando o que havia feito com sua filha. Gritou acusando-me de ter matado sua filha. Foi a primeira vez que ouvi a palavra morte; a primeira vez que perdi.

Minha mãe nunca mais foi a mesma pessoa e, por mais que ela me pediu desculpas pelo que havia dito no calor da emoção, ela nunca mais me olhou com ternura. A infelicidade tomou conta de suas feições e sua beleza desapareceu.

Dois anos após a morte de Cecília, minha mãe suicidou no banheiro do seu quarto, com um tiro na cabeça. Deixou uma carta dizendo que iria buscar minha irmã.

Meu pai, após a morte de mamãe, disse que era o momento de superar os traumas. Ele me mandou para os Estados Unidos fazer intercâmbio. Morei lá por um ano, voltei e terminei o segundo grau. Meu pai me mandou outra vez para o estrangeiro, cursar o curso superior. Direito, obviamente. Lá conheci uma brasileira que também havia ido para estudar. Nos casamos.

O resto não vale a pena contar. É só uma história banal. Dessas iguais aos dos nossos vizinhos. Histórias de felicidade. Histórias sem graça.

domingo, 16 de outubro de 2011

Vida, Dom de Deus


Vida, dom de Deus
Vida? O que é vida?
Vida é um bem impagável e indispensável
A vida é resultado da sabedoria
E da bondade de Deus
Todo ser vivo se manifesta à sua maneira
Essa bondade para sempre infinita
Não fomos nós que criamos a vida
Mas somos nós que destruímos a vida

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Jaú (Parte I)


Meu avô nasceu em 1902, na região de Jaú, interior de São Paulo. Era filho de um produtor de café, um homem inteligente que enviou o filho à cidade de São Paulo para estudar Direito. O rapaz focado e dedicado se tornou um grande jurista de renome, após propiciar contribuições importantes para a criação do Código Penal Brasileiro, em 1940.

Teve quatro filhos. O terceiro, Horácio, foi o meu pai. Seguiu a carreira do meu avô, sendo um excelente jurista. Um homem considerado espelho para o mundo jurídico, assim como o meu avô. Herdou toda a dedicação e foco, toda a vontade de ser um homem respeitado, para  assim manter o nome da família.

Meus pais se casaram, me tiveram e seis anos mais tarde tiveram a minha irmã. Ela era uma criança linda, com todas as feições delicadas que a minha mãe também tinha. Minha mãe, mesmo após duas gravidez, manteve a forma e era uma mulher linda, madura, com o sorriso de felicidade que apenas uma mãe de duas crianças teria. Quando me lembrava da minha mãe e da minha irmã Cecília, eu lembrava Balzac. Minha irmã realmente tinha os olhos de ouro; encantadores como a sua voz, um delicioso canto de rouxinol. Era assim que eu a conseguia definir.

Quando eu tinha 13 anos, nós passamos as férias em Cancun. Era o lugar mais lindo que eu havia conhecido. Estávamos todos felizes e surpresos com aquele mar salgado e com o sol maravilhoso do Caribe. Durante os dias que estávamos lá, eu gostava de passear pela areia com Cecília, sentindo a água bater nos pés. Gostava também de entrar no mar junto com ela, e segurá-la enquanto ela batia as pernas tentando nadar. Era de fato uma sereia.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Tormento


Cruel e infeliz e atormentável e inseparável questão abominável e irritante que interroga e questiona e exclama e pergunta a ideia mista, mútua e cabível que desafia, opera e enfraquece a opinião, a visão, o formato da vida que mais me parece cinema e teatro ou um orfanato, por estarmos aqui sem saber quem somos, para onde vamos, de onde viemos, quem está aqui, quem está lá, o porquê de não estarmos lá, se o lá realmente existe e se a dúvida vale a pena; ou melhor: o que deve fazer valer a pena?

Se uma pena é tão leve... Ter pena é menosprezar? Se uma pena é tão leve...

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Ingenuidade

Ela não sabe de nada
Ainda acredita em fada
Pediu-me para
Andar mais devagar
Andei que cansei
Fiz o que pude
Tentei salvar
Aquela juventude
Que era perdida
Igual sua vida

Olhando para o céu
Vejo meus sonhos
Rasgados como papel.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Revolta do Ego


Ausente do tráfego. Morremos no dia a dia. Vale mais o silêncio às conversas com animais de duas patas. Vale mais a caneta à enxada. Sou sujo, você também. A diferença é que enquanto você inveja, eu lastimo. Modéstia é hipocrisia, meu amigo.

É melhor reinar entre os idiotas a servir os poderosos? Eu não sei. Eu não quero. Dependência é morte lenta e tortuosa.

Jogo palavras ao vento enquanto o terror anda ao meu lado. Não há outra opção quando se é apenas um mortal. E você? Tem muito medo daquilo que conforta. Pobre miserável. Deveria agradecer por um dia ser aniquilado. É uma generosidade prestada aos semelhantes. 

domingo, 2 de outubro de 2011

Bolha de Sabão

Quando nasci, foi dentro de um furacão
Crianças choram bolhas de vento
Por isso ninguém diz não
Quando quem pede é um pequeno

Queria ser uma bolha de sabão
E voar pelo ar sem cor
E um dia pousar sobre sua mão
Sentir seu tato e seu calor

Demais nunca é muito para o futuro
Os sonhos são poucos dentro da bolha
A vida é uma árvore e enquanto eu durmo
Sonho que caio seco como uma folha

Vamos correr rápido
Por todo o deserto árido
Pois lá na frente há um furacão
E eu quero ver a boreal nascer

Sonhos nunca se vão
Se duvida, um dia você verá
Eu nadar como uma bolha de sabão
Até me explodir no sol
Até me explodir no sol
Você verá!