sábado, 24 de setembro de 2011

Baobhan - Capítulo II (Parte II)


Essa história antiga você já conhece, mas não se engane em pensa que foi um erro humano. Isso foi uma necessidade, e posso lhe dizer mais: essa necessidade foi um detalhe que o verdadeiro autor pensou, mas hesitou e não quis escrever, e a ideia sempre morou na sua cabeça.

Ouça-me Baobhan, o horizonte é assim, completo e infinito, e responde a uma necessidade de eternas cadeias de marionetes. O seu olhar fixo no cabelo é o princípio afirmativo do ser. É a configuração do cosmo, a introspecção, a grande arma do homem. O homem, mesmo tolo diante a responsabilidade que tem, é poderoso; pois os deuses servem os homens.

Não se esqueça Baobhan; o verdadeiro autor escreveu uma história. Ele criou o cenário e os personagens. Essa história é o que nós chamamos de vida, mundo, universo. Deus é um narrador, personagem da história. É tão participante do livro como nós. O autor verdadeiro, porém, não é um ser supremo, pois a caneta que está em suas mãos não é controlada por ele. Existem personagens que influencia em tudo. O autor tem o mérito de iniciar a obra, mas não se pode falar em criação ou criador, pois esse não terminou a história. Baobhan, ouça o que há dentro de você. Há eloquência dentro de você”.

A coruja, dado por encerrada a sua fala, decolou no espaço, seguida pelas outras duas. As três se foram, e Baobhan se manteve ali parado por vários minutos, pensando em tudo que ouvira naquela sua alucinação. Se perguntava até onde o episódio havia sido uma alucinação. Tudo que a coruja havia lhe dito, exceto por ter sido uma coruja, fazia sentido. Absolutamente tudo! E por que também o fato de ser uma coruja a dizer? Afinal, é o animal que simboliza a sabedoria.

Baobhan entendeu tudo que foi lhe dito aquele dia, fosse pelos homens ou pela coruja. E tudo fazia sentindo para seus pensamentos. Ele era um homem e seu poder era o seu mundo.

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