domingo, 7 de agosto de 2011

Vivo Morto


Antes de você entrar em casa, desfaça sua face. Ela lhe entrega. E tudo que você irá ouvir são perguntas que confirmarão seus pesadelos. Respire, sorria.  

Antes de atender ao telefone, diga algumas palavras em voz alta. Mude sua voz alta; ela lhe entrega. E tudo que você irá ouvir são perguntas que, quando você pensar nas respostas sinceras, seus pesadelos serão confirmados. Respire e fale sorrindo. Nunca se esqueça de falar mostrando seus dentes nojentos.

Calma, cedo para lágrimas.

Ouvindo a canção, você se lembra de que ainda tem memória. Você não está totalmente morto. Agora, olhe um pouco para frente. Você não vê nada. Um enigma? Você tem ideia do que seria misterioso para a sua imaginação? Eu acreditava que nada seria desconhecido. Mas agora você acredita em tantas coisas novas. Agora você desacredita tanto de tantas coisas.

Um milhão de pessoas o olha nas ruas todos os dias. E sabe um segredo? Aquelas que não acham que você as assaltará, se quer olham a sua cara. Sua cara não passa de um processo bioquímico para um milhão de pessoas que o olha todos os dias. Me diga o que você pensa a respeito.

Mas você não está tão morto assim, afinal, você ainda consegue lembrar que tem uma memória. Paradoxalmente, deteriorada. Nunca se esqueça de quão feio você é. Conto-lhe outro segredo; sobre isto, digo que você é otimista. Não fique magoado, você nunca será escritor. Não é esse o seu sonho? Pois o esqueça. Você tem mais algum sonho? Os esqueça. Todos.

Apenas ouça essa melodia linda, e pense que você nunca irá compor uma melodia. Esqueça o paraíso. Você é fraco até com ódio. Ponha-se no seu lugar. Você é o único ouvinte de suas tristezas. Não espere ninguém abrir a porta e o confortar, pois não há ninguém no mundo que faria isso por você. Nenhuma das um milhão de pessoas que você vê todos os dias o ajudaria. Sinta-se sozinho, com um milhão de pessoas lá fora.

Chore sozinho, para você, no seu canto bem pequeno. Chore; pare com os soluços e volte a escrever palavras que ninguém nunca lerá. 

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