segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Solidão


Vivo, ajo, reajo com os outros. Mas sobre qualquer circunstância, existo sozinho. Os ícones, mártires, atravessaram os campos de batalhas acompanhados; mas quando foram mutilados, estavam sozinhos. Sensações são experimentadas sozinho.

Quando abraçados, os amantes buscam desesperadamente fundir seus êxtases; isolados em uma única autotranscedência, a fim de formar uma única alma, um único ponto de brilho. Por natureza própria, cada espírito, preso em seu corpo, está condenado a sofrer e gozar em solidão.

Sensações, sentimentos, crenças e fantasias são todos elementos privados. E, a não ser através da arte, feita de símbolos, não podem ser transmitidas diretamente; apenas de forma indireta.

Acumulo informações sobre experiências, mas nunca sobre minhas próprias experiências. Da família à nação, cada homem é uma sociedade de universo solitário. Muito desses universos são, uns aos outros, suficientemente semelhantes para permitir, entre eles, uma compreensão por raciocínio, ou por uma compartilhada projeção de percepção. Assim, recordando-me das minhas próprias dores e humilhações, sou capaz de me colocar no lugar de outra pessoa. 

Nenhum comentário: