terça-feira, 30 de agosto de 2011

Conversas Paralelas


Tempos em tempos. Conversas paralelas, adquiridas pelo ócio do desinteresse. É normal, é autêntico, é da juventude. Planos desolados, ofuscados pela cegueira que o meio causa. O frescor da hereditariedade ainda é sóbrio, decorado pelo sorriso róseo infantil. Como é doce o vinho que nos alimenta. O vigor capaz de esmurrar muros até os tijolos cederem à força. Não há monstros que pode nos deter. Não há realidade disposta a combater os nossos desejos. O mundo é nosso.

Tudo em conversar paralelas, em voz miúda, enquanto o professor esmiúça, com cansaço, conhecimentos desnecessários. Sais minerais, ligações bioquímicas, forças, sintaxes, greves, etc, etc. Não importa, tudo é rotativo. Existe e funciona sem a nossa visão. Toda ciência existe para modificar o que já é naturalmente feito. Desconstrução endiabrada.

E lá na frente, sentados em postura ereta, armados de óculos, papel e caneta, estão os que acreditam biblicamente em tudo que um diplomado fala. Para nós que estamos aqui no fundo, “senta na frente quem tem dificuldades”. Motivo para risos, nada mais. Nós somos engenheiros da vontade, semeadores da suficiência.

É bem verdade que, de tempos em tempos, descobriremos quão tolos fomos e quão ainda somos. 

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