terça-feira, 19 de julho de 2011

Cambaleio

Eu me sinto bem quando copio
O olhos enxotados de orvalho

Fugi. Oh bruxas, oh miséria que tece a fio
Oh ódio, duro como carvalho
A vós meu tesouro fora entregue

Torturadores! Me afoguem em sangue
E em areia, para eu sonhar.
Me estendi sobre o mangue
E Deus me desgraçou.
Fui livre ao roubar.
Não fui idiota nas primaveras
Mas fui em todas as outras estações
Já que balbuciei quimeras
E fiz dos amores os ladrões.

Pus uma arma na minha cara
Tive medo de Deus, basta!
Tive medo de Satã, besta!

O manco que se arrasta
Com os braços cravados de ferro
Para dentro do Inferno
Ouriçado às bebidas e aos tragos
Sob o rascunho do pobre diabo.
Traço o bloco do condenado.

Dor, luxo, mentira, preguiça
Adoro-lhe, Preguiça!
Você me mata uma vez por dia.

Para você, honesto trabalhador
Digno operário, nobre leito
Razões para qual eu gargalho
Vale mais a mão à pena
Do que a mão ao arado.

Eu já nasci bastardo
Sou de alguma classe inferior
Essas de nome A, B ou C
Somos animais como o lobo
Que mata para comer.
Mas vivo do meu corpo
E gosto de matar por diversão.

Um dia vou à Europa
Irei até a França
Depois irei à Terra Santa.
Nas minhas perdições remotas
Vou conhecer Bizâncio
As muralhas de Salomão
Cultuar Maria
Crucificar mil magias
Todas de profanação.

Um dia sentei ao redor do fogo
E havia um rapaz, amigo meu
Me acompanhando.
Ele, desde menino, era cego de um olho
E do outro era alucinado.
Em volta da clareira rubra
Ele dançava com doze velhas
Todas elas nuas e surdas
Ele enxergava meninas crianças.


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