sexta-feira, 13 de maio de 2011

Manicômio


Na sala do manicômio. Paredes brancas, sem ventilação corrente. À direita um casal homossexual, à esquerda, um casal heterossexual. A modernidade caminha para a direita. Eu sou antiquado.

Conversas, conversas; conversas. Ouço um assovio neurótico ao fundo. Vem de um gordo, careca, peludo. Ele transmite o som da morte tranquila. Tranquilíssima! Ele é um psicótico nato, seus olhos revelam. Olhos esbugalhados naturalmente, que apenas se adquire artificialmente enxergando navios na manta do Cristo Redentor.

O manicômio se enche aos poucos. Os homossexuais conversam histericamente. Não sou criador, sou narrador. Narro os movimentos do manicômio e observo o psicótico.

Entro em mim. Um pouco de areia mágica dentro de mim. Fecho os olhos e aparece aquela fenda vermelha. Pronto. Estrelas azuis no céu branco. Minha mente está lenta e dolorida.

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