sexta-feira, 15 de abril de 2011

Víbora



Quando, por motivos desconhecidos, um poeta se apresenta para esse mundo maldito, sua mãe grita para os céus, de braços abertos: “Eu queria apenas me divertir durante a noite; mas sob as víboras, gerei em meu ventre uma nova. Sou uma mulher que não pode se queixar de um falso bilhete de amor, ou da infelicidade de se ter um marido, pois eu não tenho um homem. Por isso eu odiarei e amaldiçoarei esse instrumento vil das víboras, para que ao menos meu filho não origine galhos em minha genealogia”.



E assim, possessa de ódio, arquitetando com veneno seus planos, ela mesma acende em si a fogueira do crime materno.

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