quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Céu Violeta


O céu era claro e pesado
Uma luz até poderia ter me ajudado
Se não fosse o seu brilho ofusco
Que sempre me deixou confuso
E fez com que eu fosse um mentiroso
Me comportando como alguém amoroso
Mas que apenas se sentia entediado
Com vontade de voltar logo para casa
E passar a noite inteira acordado
Fazendo os mesmos planos solitários

Você deveria aprender a descobrir
Que piedade magoa a dignidade
E que lhe fazer sorrir
Apesar de nunca ser uma maldade
Era somente algo para mim

Eu lhe ensinei a se sentir feliz
E fiz isso em silêncio
Tudo o que você quis
Eu entreguei ao mesmo tempo
E quando sua vontade era mudar
Eu estava lá para me despedir
Por que eu sempre estive pronto
Para você estar cansada de mim

Sempre me servi de escravo
Nunca deixando de a escravizar
Ainda que sempre estivesse cansado
Nunca me senti machucado
E mais uma vez eu fui piedoso
Já que guardei tudo comigo
Como um verdadeiro tesouro

Sempre houve um fetiche estranho da minha parte
Brincar de experimentar sentimentos alheios
A vida toda compondo uma obra de arte
Até que a minha presa finalmente veio
Ao meu encontro, sem que eu insistisse
Um projeto que o acaso me entregou
Sem eu acreditar que ele existisse

O céu violeta tem uma cor enjoativa
Mas até chegar o momento em que enjoei
Nasci e morri por vários dias
Dentro do laboratório que eu mesmo planejei

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