quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A Prostituta


Aqui estou eu mais uma vez, meus nobres leitores inexistentes. Desta vez, deixando de lado minha conversa fiada e macabra que só tem como objeto fazê-los perder tempo. Tratarei de assunto importante hoje, de forma mal elaborada, que é a minha maior característica intelectual.

Falarei sobre a prostituta mais bem sucedida dos nossos tempos. A nossa dama gratuita, que desfila por cima da podridão, derruba reis e elege os heróis que lhe convém. Aquela que se vende várias vezes ao dia, para vários homens, ao mesmo tempo.

Governos vêm, governos vão; mas ela continua inteira; gritando por saúde, educação e segurança. O mesmo grito ordinário dos governos, pois se o político quer o voto, nossa prostituta quer o ibope. Ainda que seja taxando os lúcidos de ignorantes, racistas, fascistas, retrógrados; na verdade, isto é o menor dos tapas que a prostituta sádica distribui.

Meus heroicos leitores invisíveis; que graça teria um mundo saudável? Sem mortes ou sem violência? Sem miseráveis? Na cara de quem você apontaria o dedo e diria: “a culpa é toda sua!”? Ora, em um mundo de culpa, perversão e orgias é bem mais divertido. Assim se explora os defeitos; assim se cria emoções jovens, românticas; criam-se deuses. Alguém precisaria de Deus se esse não nos salvasse?

A tragédia é necessária para a redenção; para ativar ambições nas pessoas. O ruim é o prato perfeito para a revolução; e revolução é o ponto mor da coletividade.

E a nossa prostituta? É aquela voz que geme de manhã, à tarde e a noite; que berra por todos nós. A voz que caminha por cima da carne podre; por nós. Por que a carne podre somos nós mesmos.

Bom, meus amados leitores; agora pararei de escrever essas baboseiras apolíticas de um jovem ateu; por que irei ver a novela. Lá, e como não seria, o mundo é perfeito.

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