domingo, 27 de fevereiro de 2011

Zurrapa - I Estória


Zurrapa foi uma banda percussora do movimento grunge no Brasil; com influências blues e rock psicodélico. Considera-se o seu nascimento em 1989, em Goiânia, e o seu término em 2003, com a morte do fundador Emílio Cerezo.

No ano de 1988, Emílio conheceu Joãozinho; o homem que apesar de nunca subir no palco, foi de suma importância para a formação da banda. Joãozinho, ala do Magalhães F.C, extinta equipe de futsal de Goiânia. No ano de 1989, entretanto, a equipe era tida como uma das melhores do estado, comandada pelo jovem maestro Joãozinho, de apenas 15 anos. Naquele ano, a equipe chegou a final após uma campanha impecável. Era o franco favorito e muitos amantes do esporte apostaram no time.

O jogo decisivo fora bastante disputado, se aproximando do fim com placar empatado, até que fora assinalado uma penalidade a favor do Magalhães. Joãozinho, o craque do time, a desperdiçou infantilmente, cedendo contra ataque para a equipe adversária – Balneário hoje também extinto. Nesta jogada seguinte ao penal perdido, o Balneário marcou o gol decisivo, após falha absurda do goleiro Amauri.

A partida terminou com placara de 5x4 em desfavor do Magalhães, que perdera a oportunidade, naquela noite, de conquistar um título inédito, que seria o maior de sua história. Os quatro gols marcados por Joãozinho naquele jogo não foram suficientes para livrá-lo das fortes críticas. Já Amauri, o goleiro, que em toda campanha estava nitidamente acima do peso, e mesmo assim tido até então como o segundo herói (o maior era Joãozinho), por ter feito defesas consideras impossíveis, também fora tido como culpado e, portanto, rechaçado. As carreiras de ambos acabaram naquele dia, causando ódio até hoje naqueles que torceram pelo Magalhães na decisão.

Logo após a partida, Emílio que assistira à partida no ginásio a convite de Joãozinho, o convidou, junto a Amauri, para tomar uma cerveja, esquecer a derrota e entregar algo ao amigo. No bar, Emílio confessou que naquele mesmo dia, na parte da manhã, viu um mendigo na rua com a seguinte frase escrita na camiseta: “Os bons fracassam”; sem hesitar, fez uma aposta na vitória do Balneário, sendo um dos poucos que apostaram contra o Magalhães. Já com o dinheiro em mão, entregou-o todo ao amigo Joãozinho, como forma de solidariedade. O amigo, espantado, aceitou a o presente e deu certa quantia a Amauri, que havia vendido o seu violão a preço de banana para comprar um par de luvas, para a disputa do campeonato. Vendo que o goleiro também se interessava por música, Emílio e Amauri se tornaram amigos naquela noite.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A Prostituta


Aqui estou eu mais uma vez, meus nobres leitores inexistentes. Desta vez, deixando de lado minha conversa fiada e macabra que só tem como objeto fazê-los perder tempo. Tratarei de assunto importante hoje, de forma mal elaborada, que é a minha maior característica intelectual.

Falarei sobre a prostituta mais bem sucedida dos nossos tempos. A nossa dama gratuita, que desfila por cima da podridão, derruba reis e elege os heróis que lhe convém. Aquela que se vende várias vezes ao dia, para vários homens, ao mesmo tempo.

Governos vêm, governos vão; mas ela continua inteira; gritando por saúde, educação e segurança. O mesmo grito ordinário dos governos, pois se o político quer o voto, nossa prostituta quer o ibope. Ainda que seja taxando os lúcidos de ignorantes, racistas, fascistas, retrógrados; na verdade, isto é o menor dos tapas que a prostituta sádica distribui.

Meus heroicos leitores invisíveis; que graça teria um mundo saudável? Sem mortes ou sem violência? Sem miseráveis? Na cara de quem você apontaria o dedo e diria: “a culpa é toda sua!”? Ora, em um mundo de culpa, perversão e orgias é bem mais divertido. Assim se explora os defeitos; assim se cria emoções jovens, românticas; criam-se deuses. Alguém precisaria de Deus se esse não nos salvasse?

A tragédia é necessária para a redenção; para ativar ambições nas pessoas. O ruim é o prato perfeito para a revolução; e revolução é o ponto mor da coletividade.

E a nossa prostituta? É aquela voz que geme de manhã, à tarde e a noite; que berra por todos nós. A voz que caminha por cima da carne podre; por nós. Por que a carne podre somos nós mesmos.

Bom, meus amados leitores; agora pararei de escrever essas baboseiras apolíticas de um jovem ateu; por que irei ver a novela. Lá, e como não seria, o mundo é perfeito.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Ruptura


Com essa ruptura acelerada
Não se esqueça do curativo
Antes de dar a primeira engatada
Que inferniza os sentidos

Marcas são honras quando rasas
Já que a funda ninguém vê
O que ninguém vê não é nada
O que mostra é o que se crê

Então não sou o que sou
Por que abomino o que sou
O que você quer ser
Mostra para todo mundo ver

Ou você achou que era verdade
A conversa fiada sobre sinceridade
Para e pensa um só instante
Quem disse que o superficial não é importante?

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Luzes do Farol


Se existe um momento que seja adequado para ligar as luzes, me diga qual é. Mas não me diga que devo sair correndo sem a minha equipe, por que eu sou fraco, não desertor.

Um motorista surge ao longe em alta velocidade e eu não tenho forças para erguer o braço em busca de carona. Quantos ambulantes se encontram com olhar vagante nas rodovias e são ignorados pelos motores retificados? Esses homens buscam uma passagem para o passado para recomeçar outra vez. O erro é percebido por muitos quando não há reversão.

Falta uma gota de sensatez para consigo mesmo, por que o asfalto não tem coração. Basta uma sugestão. Você já esteve cego alguma vez? O duro de poder enxergar é não conseguir olhar o que o cego vê. Se você visse, seria mais humano.

Há persistência nesses meus pensamentos medonhos. Onde ando me encontro com eles e os guardo para mim, por que o que é ruim, não se divide. Mas um dia eu irei entrega-los. Será o dia que alguém comentará para outro, sobre mim, dizendo que havia luz em algum lugar, que não sei dizer agora qual é. Sabe qual a razão? Se crê no que se vê; por isso estamos corroídos. Ninguém se vê.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Festa


Eu usei o passado
Para compor uma festa
Aos sonhos afogados
Ou mortos com tiros na testa

Eu perdi todo o controle
Quando certo alguém apareceu
E renasceu todas as lembranças.
Foi um assalto todo seu.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Vivo


Eu posso esperar enquanto eu estiver vivo, por que eu sei que você não tem tempo. Você disse que iria por que tem que conhecer. Pois bem, aqui estou eu conhecendo a mim mesmo enquanto você compra vasos orientais. Vá sem pressa por que só tem pressa quem está vivo, e eu estou. Estou tanto que sou um moribundo à espera de um momento para despertar, já que me mantenho disperso.

Agora você precisa de um remédio para superar a vida pacata. Se você acha que a parada de embarque de Veneza justifica bem... Eu já estive em Veneza e lhe digo que é um lugar que transborda vida. Pena que os filmes não mostra o cheiro de urina de ratos que aqueles passeios de barcos proporcionam.

Ser é viver; então viva por mim, inclusive. Por que um viciado em dormência se priva do próprio sorriso idiota, mas por conhecer a cena, quer reinventá-la.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Céu Violeta


O céu era claro e pesado
Uma luz até poderia ter me ajudado
Se não fosse o seu brilho ofusco
Que sempre me deixou confuso
E fez com que eu fosse um mentiroso
Me comportando como alguém amoroso
Mas que apenas se sentia entediado
Com vontade de voltar logo para casa
E passar a noite inteira acordado
Fazendo os mesmos planos solitários

Você deveria aprender a descobrir
Que piedade magoa a dignidade
E que lhe fazer sorrir
Apesar de nunca ser uma maldade
Era somente algo para mim

Eu lhe ensinei a se sentir feliz
E fiz isso em silêncio
Tudo o que você quis
Eu entreguei ao mesmo tempo
E quando sua vontade era mudar
Eu estava lá para me despedir
Por que eu sempre estive pronto
Para você estar cansada de mim

Sempre me servi de escravo
Nunca deixando de a escravizar
Ainda que sempre estivesse cansado
Nunca me senti machucado
E mais uma vez eu fui piedoso
Já que guardei tudo comigo
Como um verdadeiro tesouro

Sempre houve um fetiche estranho da minha parte
Brincar de experimentar sentimentos alheios
A vida toda compondo uma obra de arte
Até que a minha presa finalmente veio
Ao meu encontro, sem que eu insistisse
Um projeto que o acaso me entregou
Sem eu acreditar que ele existisse

O céu violeta tem uma cor enjoativa
Mas até chegar o momento em que enjoei
Nasci e morri por vários dias
Dentro do laboratório que eu mesmo planejei

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Mel


Esqueça os ensinamentos que tomaram conta do seu instinto. O ser humano é o prefixo de uma ação que você mesmo toma. Há tanta bobagem espalhada que me esqueço daquilo que de fato acredito. São tantas ideias transgênicas se apossando, que vejo homens tornando câncer de si mesmo.

Neste mundo de carecas nunca há espaço para a verdade. Se me desse a oportunidade de ditar, eu colocaria as unidades esparsas em caixas de sapato e as jogaria no mar. Não posso ser o único a sentir dor e perceber que são todos abelhas criando uma mesma colmeia.

“O mel é um doce que gruda nos pelos do peito. Então enfie mutações leprosas em todos, para o mundo evoluir doente, e o mel ser um lubrificante da vida.”

Até quando pensará no sabor do seu corpo? Até quando será hermafrodita da própria carne? Não cansa, ou não percebe?

Aja


Não enlouqueça
Não doerá
É só um tiro na cabeça
Não interessa suas crenças
Tudo terminará

Fique tranquilo
Não insista
Que nada estará perdido
Desde que você não desista

Conheci um homem
Que tinha medo dos mendigos na rua
E quando saia de casa
Andava com uma arma na cintura

Boceje
Sinta sede!
Mas se quer mais algo por inteiro
Entregue o dinheiro
Crie o seu nome
Sinta fome!
Mas se quer mais algo por inteiro
Entregue o dinheiro

Sempre haverá um segredo
Deixado em algum lugar guardado
Então não se preocupe com o bilhete
Por que ninguém entenderá o recado

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Novo Dia


Qualquer coisa para me satisfazer; que seja capaz de me tirar da minha mente. Eu preciso esquecer toda honra e toda glória que me espera ao amanhecer, já que enquanto essa aurora não chega, eu vivo pelos cercos da noite, escolhendo a dedo o que pode me deixar um pouco melhor. Sim, é o meu passatempo preferido.

Há doses que não são tão corretas sem a devida partilha; então quando planejará sentar-se aqui? Pois há uma cadeira nervosa à sua espera. Eu jamais me esqueço de quem ainda estar por vim! Sou blasfemador com aqueles que dizem ter aceitado. Mas esses mesmos já andaram comigo.

É claro que desisti dos trabalhos infrutíferos. O que é grande, não é bem feito; o específico atinge o concentrado. Qualquer um de vocês me serve; sempre fui um admirador da natureza. Afinal, eu sou a melhor parte dela.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Metáforas Desejam


Olhos devoram o paladar
Santuários apavoram o ego
Viver consome o ar
Que brilha a vida do cego

Não espere por mim
Eu já estou longe
Alavancando o meu fim
Perdido, não sei onde.

Um último sorriso
Lento e alegre
Que tenha a capacidade
De espantar a minha febre

Metáfora me cansa
Mas eu a uso
Melhor que uma lança
É ter um parafuso
No meio da cabeça