quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Epifania


Corcéis que vagam possuem olhos como o açafrão do tombo do nosso desalento em ter que enfrentar mais algumas horas imortais até termos, outra vez, a nossa chance de desfrutar dos, sempre, virgens sonhos. A cada palavra cuspida, um mesmo discurso você proclama. Ora, minhas proclamações são humanas; suas divagações, limitadas.

Quanto fracasso nos cerca nessa proposta sem ritmo de planejar vontades castradas pela própria discórdia. Não se pode cansar da mesma epopeia, enquanto esta não transbordar as coleiras tão mesquinhas que afrontam os traumas. Emoções desaguam em medos, como afirma aquele que se diz ser cientista.

Creio que não chegará um dia, mas apenas um momento; daqueles que mil almas vivem por mil anos à espera, infrutiferamente; em que possamos, talvez sem a companhia devida, descobrir as razões das motivações que nos induz. Pois mesmo sem a esperança, apenas viver já é esperar. Não somos tão péssimos assim; apenas respeitadores e, talvez intimamente, admiradores dos ardis da tragédia.

Um choro sempre será mais completo que um sorriso.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Necessidade


Primaveras sombrias assustam minha alma.
Meus anjos, com flechas fincadas no peito
Vomitam o sangue rosado nas minhas palmas.
Preciso de flores velhas que ouçam os meus segredos

Um raio de luz enfeixado se finca na minha cabeça,
Adentra-se pela minha garganta e corre pelas minhas veias.
E dentro das minhas veias, meu sangue se torna luz.
E dentro do meu corpo, meu sangue se torna pus.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Promessas: Extorsões


Terráqueos! Nada atingirá suas armaduras de bronze; pois eu plantei a luz das vitórias em seus elmos. Ataquem com toda gana. Há um deus os protegendo; enquanto que do outro lado do campo há somente a piedade para confortar os inimigos. Não sejamos piedosos, entretanto. Esfolem os esquartejadores de suas esposas e filhos!

_ Eles mataram cruelmente nossas famílias?

Não, mas se vocês não fizerem o que eu vos digo, eu mesmo trucidarei seus entes! A
batalha é o meu jogo e eu não meço consequências pela vitória.

Depressa! Quero ver os fracos tombarem e os cruéis sobressaírem!

Alcoviteiro de Emoções


Eu roubei o seu ódio para mim; pois tudo que eu queria era que você sentisse algo por mim. O meu sonho era ver você vermelha ao me olhar; que você mostrasse os dentes ao ver uma fotografia minha. Escutar os seus gemidos quando percebesse a minha presença.

Minha maior ambição era saber que você tem desejos guardados apenas para mim.
Sentir ia-me importante saber que manifesto sentimentos em você. Olharia o mundo diferente se soubesse que você me olha diferente. Choraria se soubesse que você chora pela minha existência.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Honesto


Há uma conta para pagar
E o agiota fez a cobrança
Eu que não sabia o que dar
Entreguei minha infância

O homem partiu sem sorrir
Recusou quando disse para entrar
Disse que deveria ir
Tinha outros para cobrar

Confesso que entrei feliz
Não por ele não ter aceitado
Mas por que tudo estava ali:
Minha TV e o meu dinheiro

Não é duro perder o que não se conquista
Nem aquilo que não faz parte do meu ser
Poderia ter feito uma lista
E entregar para ele escolher

Mas era um homem sensato
Ou apenas um homem do mercado
Ou percebeu que não era errado
Ver um ladrão ser ludibriado

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Eu


A mão quente que entrou por dentro da sua blusa e congelou seus sentidos; a observação que lhe fez desviar o olhar e entortar os dizeres; a água que esquentou seu corpo. Sou o ato da surpresa.

O devaneio dos veraneios pelas veredas; o romper das barreiras do pensar; a mão por debaixo da saia. Sou a mecânica da ânsia.

O desvio do caminho; o pensar solitário; a cegueira do esquecimento. Sou o olho da gula.

A fuga sem intenção; o golpe que não foi contido; a mão que rasgou o vestido. Sou os dedos da ira.

O ódio pelo irmão; a vergonha de ter que ser; a comodidade da aceitação. Sou a normalidade da inveja.

O joelho que não beija o chão; a dor que não grita; o amor que não suplica. Sou os punhos do orgulho.

O vento que seca; o tempo que corrói; sonhos que se cansam. Sou tudo em um

domingo, 12 de dezembro de 2010

Fatos e Reflexões


Nada a dizer sobre o que deveria, por méritos, acontecer. Não é fácil aceitar que ao longe acontece o que teria de acontecer aqui perto; enquanto que aqui permanece o que deveria estar bem longe.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Pelo Perdão


Acabei de pagar os meus pecados.
O homem disse que estaria perdoado
Se eu desse umas notas e centavos.
Não sabia que a túnica custava uns trocados
Se soubesse, já teria comprado.

Mas é vivendo e aprendendo.
O homem disse que todos os sábados
Eu terei, garantido, o meu acento.
Basta eu deixar o cheque assinado
Que terei o melhor lugar reservado.

Arrependo-me de ser ateu.
Serei um homem generoso
Por que se é vontade de Deus
Não sai caro por a mão no bolso.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Erros são Plurais


Você nunca olhou para trás
E sentiu em paz
Pelo que fez.
Sempre errou demais
Ou nunca fez mais
Do que ser por um mês.

Mesmo sem saber quando
Terá chegado a hora.
Um aviso vindo de um anjo
Olhando pela janela da sua porta
Dizendo que o momento é agora.

O que terá plantado?
Por que você tem uma colheita
Ou vai ficar calado
E aceitar todas as baboseiras?

Por que eu aceitei
E será que é justo
Saber o que eu sei
E ter que entregar tudo?

Entender o aprendizado
É saber que tudo é certo.
O que é errado
Deixa de ser no concreto.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Rendição


Há algo que faz efeito em mim quando saio para andar atoa. Só percebo quando já estou alterado; e noto quando olho para os lados e não distingo onde estou e o que estou fazendo.

Sinto uma fumigação nas pernas todas as noites, em um mesmo lugar. Um especialista disse-me que devo deixar fluir. Eu tenho a sensação que quando flui, eu alimento os meus desejos. O que acontece são coisas horrendas.

É alguém que dobra os meus joelhos e me aplica algum estímulo. Quando volto a olhar para frente, o futuro se descobre dos lençóis; por que eu sei o que vai acontecer. Isso me faz sorrir.

Nunca deixo algo passar quando estou rendido.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Nada para Você


Nada para você
Tudo para mim
É assim que penso
É assim que faço

Você quer
Eu também quero
E quando eu quero
Eu não divido

Mas se você chorar
Talvez, eu não prometo
Eu posso entregar

Nada para você
Tudo para mim
É assim que penso
É assim que faço